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Notícias e Dicas

Saúde bucal e ergonomia? Qual é a relação?

A acelerada evolução tecnológica tem colocado à disposição do cirurgião-dentista recursos cada vez mais eficazes para facilitar a rotina de consultório. A indústria de materiais e equipamentos também investe na qualidade e sofisticação de modo a proporcionar sempre mais agilidade, segurança e conforto para o profissional e para o paciente. Mas, apesar disso tudo, o cirurgião-dentista ainda sofre muito com problemas ergonômicos ocasionados por má-postura, LER, Dort e síndromes diversas.

E o pior é que o CD é desatento com relação às dores. Quando a situação fica insustentável e ele procura ajuda, o problema pode ser grande, como uma doença incapacitante.

Sinais a serem observados

Sensações de dor, desconforto, peso, inchaço e dormência em áreas específicas, dificuldade de movimento e cansaço. São todos problemas físicos que podem desaparecer após uma pausa no trabalho de horas ou de dias. Mas, com o passar do tempo, aquilo que se apresentava como um transtorno, um incômodo, vira uma dor contínua e mais localizada; aparecem sensações de calor, formigamento e, mesmo com descanso, a dor continua ou reaparece repentinamente.

Existe, ainda, a possibilidade de surgirem nódulos e a dor ficar mais intensa, mesmo em repouso. Pode haver perda de sensibilidade e de força muscular. Nesse estágio, uma doença pode estar instalada. Para não chegar nesse ponto, veja quais são os principais sinais de doenças ocupacionais que atingem os cirurgiões-dentistas:

  • dores
  • cansaço fora do normal
  • inchaço, dormência ou formigamento em mãos, braços, pés ou pernas
  • sensação de grande desconforto ao final do expediente
  • um tipo de “choque” esporádico nas mãos
  • evitar usar uma mão ou um dos braços
  • substituir o uso da mão pelo braço para carregar algo
  • dificuldade para se vestir, abotoar roupas, escovar os dentes e pentear os cabelos
  • sentir os braços cansados quando se tem de mantê-los elevados

Doenças mais comuns

A atenção redobrada ao aparecimento de sinais e a consulta a médicos e fisioterapeutas é fundamental para prevenir o agravamento do quadro. Entre as patologias mais comuns à atividade do cirurgião-dentista estão:

  • síndrome dolorosa miofascial – espasmos, tensão muscular e mialgia, causados por desequilíbrio funcional entre os músculos durante gestos e posturas.
  • síndrome do túnel do carpo – parestesia nas mãos, déficit na realização de pinça e apreensão causados por movimentos repetitivos de flexão e extensão com o punho, principalmente se acompanhados por realização de força.
  • síndrome do desfiladeiro torácico – parestesias em membro superior causada por compressão sobre o ombro, flexão lateral do pescoço e elevação do braço.
  • tenossinovite dos extensores dos dedos e do carpo – inflamação, dor e déficit na manutenção do punho em posição neutra na pinça e preensão da mão causados por falta de alongamento e resistência dos músculos extensores, pinça e apreensão exagerada de objetivos, fixação antigravitacional do punho e movimentos repetitivos de extensão dos dedos, como digitar e operar mouse.
  • tenossinovite dos flexores dos dedos e do carpo – inflamação, dor na face ventral do antebraço e punho causadas por movimentos repetitivos de flexão dos dedos e da mão.
  • tendinite do supraespinhoso – inflamação e dor na região posterior e lateral dos ombros por eles ficarem projetados à frente e suspensos; déficit muscular.
  • cervicalgia – dor e perda de amplitude do pescoço causadas por postura inadequada do pescoço e compressão de nervos e vasos.

Cuidados rotineiros simples

Há alguns cuidados simples que o cirurgião-dentista pode incorporar à sua rotina e que podem ajudá-lo a prevenir doenças. São eles:

  • fazer esforços bem próximos de seu corpo, evitando exigir muito de sua postura;
  • conter a flexão da coluna vertebral para frente, bem como esforços repentinos;
  • tentar relaxar os ombros e evitar o uso de luvas que apertem o punho;
  • reduzir o uso do frio provocado por circuladores de ar ou ar-condicionado;
  • dar preferência a instrumentos o mais leves possível, angulados, afilados, de diâmetro largo com cabos arredondados, serrilhados e curvados;
  • procurar fazer movimentos com o braço por completo, contendo manobras com punhos e dedos;
  • evitar expor as mãos a temperaturas baixas, lavando-as sempre com água quente;
  • exercitar as mãos em pausas de trabalho é mais do que recomendável, é necessário;
  • alterne horários para atendimento a pacientes que exijam maior esforço, e
  • faça regularmente exercícios de alongamento muscular de braços, pescoço e costas.Movimentar-se: a fórmula mágica

    Exercícios físicos, dieta saudável e orientada e lazer são ferramentas importantes para combater o início de qualquer processo relacionado a doenças ocupacionais. É fundamental que cada pessoa procure adaptar o trabalho à sua condição, utilizando para isso recursos adequados, como móveis ergonômicos e ambiente ajustado ao seu perfil físico e psicológico.

    O ser humano necessita fazer atividade física todos os dias da semana de forma contínua ou acumulada, prática muitas vezes negligenciada pelos cirurgiões-dentistas devido à sua rotina profissional, explica o educador físico Eduardo Barletta Barros, pesquisador em Fisioterapia. “O trabalho do profissional da Odontologia tem seus desgastes do ponto de vista mental e físico. A postura adotada para o tratamento, por si só, já é bastante antiergonômica, podendo gerar dor e desconforto no cirurgião-dentista, prejudicando o seu dia a dia e até abreviando sua vida útil”, observa.

    Para auxiliar os profissionais da Odontologia, Eduardo orienta alongamentos específicos, “que previnem e minimizam as dores e incômodos do dia a dia de trabalho”. O especialista enfatiza que a medida não substitui o tratamento médico e fisioterapêutico, nem o trabalho do profissional de Educação Física.

    Confira, a seguir, uma sequência de alongamentos para os dedos, mantendo a posição por 10 a 15 segundos. “É importante alongar sempre dentro de seus limites e nunca sentir dor. Qualquer alteração, é preciso procurar um médico ou um fisioterapeuta”, orienta Eduardo.